quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

O EXISTENCIALISMO DE SARTRE



A distinção entre essência e existência corresponde a distinção entre conhecimento intelectual e conhecimento sensível. Os sentidos põem em contato com os seres particulares e contingentes, únicos que realmente existem, ao passo que a inteligência permite aprender as idéias ou essências, gêneros e espécies universais, meras possibilidades de ser, em si mesmas inexistentes. Sabe-se, no entanto, desde Sócrates, que o objeto da ciência é o universal e não o particular, quer dizer a essência e não a existência. Platão tenta resolver essa contradição hipostasiando as idéias, atribuindo-lhes a realidade, no mundo supra-sensível ou topos ouranoú (lugar do céu). Poder-se-ia dizer que é em nome da existência que Aristóteles critica a teoria platônica das idéias, sustentando que as idéias, ou essências, não estão fora mas dentro das próprias coisas, as quais, feitas de matéria e de forma, contem, em si mesmas, o universal e o particular, a essência e a existência.

Em oposição as filosofias que se poderia chamar ‘essencialistas’, as filosofias existencialistas partem do pressuposto de que a existência e anterior a essência, tanto ontológica quanto epistemologicamente ,quer dizer tanto em relação ao ser, ou à realidade, quanto em relação ao conhecimento. Na perspectiva do existencialismo, as idéias, ou as essências, não são anteriores às coisas, pois não se acham previamente contidas nem na inteligência de Deus nem na inteligência do homem. As idéias, ou essências, são contemporâneas das coisas, são as próprias coisas consideradas de determinado ponto de vista, em sua universalidade e não em sua particularidade. Síntese do universal e do particular, o indivíduo existente é redutível ao pensamento, ou inteligível, na medida em que contem o universal, a essência humana, por exemplo, nesse homem determinado, e irredutível, enquanto particular, esse homem com características que o distinguem de todos os demais e o tornam único e insubstituível.

A afirmação da anterioridade ou do primado da existência em relação a essência, entendida aqui como existência humana, implica uma série de teses que distinguem o existencialismo das filosofias essencialistas. O primado da liberdade em relação ao ser, subjetividade, em relação a objetividade, o dualismo, o voluntarismo, o ativismo, o personalismo, o antropologismo, seriam algumas das características desse tipo ou modalidade de filosofia. O existencialismo não é nem uma teologia, ou filosofia de Deus, nem uma cosmologia, ou filosofia do mundo, da natureza. O existencialismo é, fundamentalmente, uma antropologia, quer dizer, uma reflexão filosófica sobre o homem, ou melhor, sobre o ser do homem enquanto existente.

Na perspectiva antropológica, surgem os temas ou problemas característicos do pensamento existencial. A finitude, a contingência e a fragilidade da existência humana; a alienação, a solidão e a comunicação, o segredo, o nada, o tédio, a náusea, a angústia e o desespero; a preocupação e o projeto, o engajamento e o risco, são alguns dos temas principais de que se tem ocupado os representantes do existencialismo. Para essa filosofia, a angústia e o desespero, por exemplo, deixam de ser sintomas mórbidos, objetos da psicopatologia, para se tornarem categorias ontológicas que propiciam acesso á essência da condição humana e do próprio ser.

A idéia de existência, como já se observou, não é nova. Com a mesma palavra, ousía , Platão designa a essência e a existência, e a crítica de Aristóteles ao idealismo platônico pressupõe o hilomorfismo, ou teoria do ser entendido como existente, feito de matéria e de forma. Platão, sem dúvida, é idealista, mas é uma experiência existencial, a vida e a morte de Sócrates, que o leva a filosofar.

A existência precede a essência, por Jean-Paul Sartre

"Quando concebemos um Deus criador, esse Deus idenficamos quase sempre como um artífice superior; e qualquer que seja a doutrina que consideremos, trate-se duma doutrina como a de Descartes ou a de Leibniz, admitimos sempre que a vontade segue mais ou menos a inteligência ou pelo menos a acompanha, e que Deus, quando cria, sabe perfeitamente o que cria.

Assim, o conceito do homem, no espírito de Deus, é assimilável ao conceito de um corta-papel no espírito do industrial; e Deus produz o homem segundo técnicas e uma concepção, exatamente como o artífice fabrica um corta-papel segundo uma definição e uma técnica. Assim, o homem individual realiza um certo conceito que está na inteligência divina.

No século XVIII, para o ateísmo dos filósofos, suprime-se a noção de Deus, mas não a idéia de que a essência precede a existência. Tal idéia encontramo-la nós um pouco em todo o lado: encontramo-la em Diderot, em Voltaire e até mesmo num Kant. O homem possui uma natureza humana; esta natureza, que é o conceito humano, encontra-se em todos os homens, o que significa que cada homem é um exemplo particular de um conceito universal - o homem; para Kant resulta de universalidade que o homem da selva, o homem primitivo, como o burguês, estão adstritos à mesma definição e possuem as mesmas qualidades de base. Assim, pois, ainda aí, a essência do homem precede essa existência histórica que encontramos na natureza. (...)

O existencialismo ateu, que eu represento, é mais coerente. Declara ele que, se Deus não existe, há pelo menos um ser no qual a existência precede a essência, um ser que existe antes de poder ser definido por qualquer conceito, e que este ser é o homem ou, como diz Heidegger, a realidade humana.

Que significará aqui o dizer-se que a existência precede a essência? Significa que o homem primeiramente existe, se descobre, surge no mundo; e que só depois se define. O homem, tal como o concebe o existencialista, se não é definível, é porque primeiramente não é nada. Só depois será alguma coisa e tal como a si próprio se fizer. Assim, não há natureza humana, visto que não há Deus para a conceber.

O homem é, não apenas como ele se concebe, mas como ele quer que seja, como ele se concebe depois da existência, como ele se deseja após este impulso para a existência; o homem não é mais que o que ele faz. Tal é o primeiro princípio do existencialismo. É também a isso que se chama a subjetividade, e o que nos censuram sob este mesmo nome. Mas que queremos dizer nós com isso, senão que o homem tem uma dignidade maior do que uma pedra ou uma mesa? Porque o que nós queremos dizer é que o homem primeiro existe, ou seja, que o homem, antes de mais nada, é o que se lança para um futuro, e o que é consciente de se projetar no futuro. (...)

Mas se verdadeiramente a existência precede a essência, o homem é responsável por aquilo que é. Assim, o primeiro esforço do existencialismo é o de pôr todo homem no domínio do que ele é e de lhe atribuir a total responsablidade da sua existência. E, quando dizemos que o homem é responsável por si próprio, não queremos dizer que o homem é responsável pela sua restrita individualidade, mas que é responsável por todos os homens."

Jean-Paul Sartre

"A existência precede a essência". Eis a frase fundamental do existencialismo. Para melhor compreender o significado dela, é preciso rever o que quer dizer essência. A essência é o que faz com que uma coisa seja o que é, e não outra coisa. Por exemplo, a essência de uma mesa é o ser mesmo da mesa, aquilo que faz com que ela seja mesa e não cadeira. Não importa que seja de madeira, fórmica ou vidro, que seja grande ou pequena; importa que tenha as características que nos permitam usá-la como mesa.

No famoso texto O existencialismo é um humanismo, Sartre usa como exemplo um objeto fabricado qualquer, como um livro ou um corta-papel: neles a essência precede a existência; da mesma forma, se imaginarmos um Deus criador, o identificamos a um artífice superior que cria o homem segundo um modelo, tal qual o artífice fabrica um corta-papel. Daí deriva a noção de que o homem tem uma natureza humana, encontrada igualmente em todos os homens. Portanto, nessa concepção, a essência do homem precederia a existência. Não é essa, no entanto, a posição de Sartre ao afirmar que a existência precede a essência: "Significa que o homem primeramente existe, se descobre, surge no mundo; e que só depois se define. O homem, tal como o concebe o existencialista, se não é definível, é porque primeiramente não é nada. Só depois será alguma coisa e tal como a si próprio se fizer. Assim, não há natureza humana, visto que não há Deus para a conceber. O homem é, não apenas como ele se concebe, mas como ele quer que seja, como ele se concebe depois da existência, como ele se deseja após este impulso para a existência; o homem não é mais que o que ele faz. Tal é o primeiro princípio do existencialismo".


Sua preocupação é de que o homem, diante de suas ínumeras escolhas assuma a responsabilidade de uma opção. Para Sartre o existencialismo é uma doutrina que torna a vida humana possível, por outro lado declara que toda a verdade e toda a ação implicam um meio e uma subjetividade humana, o homem existe, se descobre, surge no mundo e só depois se define, ou seja, não é mais do que faz.



Essa responsabilidade é que gera a angústia, pois cada indivíduo está pronto a escolher tanto a si como a humanidade, não escapa a essa situação.

Apesar da mistura de valores deste século, apesar do homem viver sozinho e sem ajuda nessa confusão, ele é livre e responsável pela sua liberdade. Somos livres para dar sentido a qualquer coisa, mas temos que dar sentido a alguma coisa.

A fenomenologia é usada como método de análise das situações existenciais em sua evolução mostra-se fiel ao concreto existencial.

O ato de assumir o ser, caracteriza a realidade humana, existir é assumir o ser, portanto a realidade humana é sempre um eu que compreende a si próprio fazendo-se humano por tal característica.

O princípio de Sartre é a não existência de Deus, o homem não tem ao que se apegar. Somos livres, sós e sem desculpas.

Chega a conclusão de que nada justifica a existência, o tédio dos dias e das noites, caminhos obscuro e deserto, o cotidiano. Mas isso não o livra da liberdade e da responsabilidade, que são da essência do homem, uma liberdade sem conteúdo se torna amargura, náusea.

Um conjunto de valores intermediários entre Deus e o homem que morreram para Sartre, e não "Deus que esta morto" como diz Nietzsche.

Tudo é gratuito, o homem se encontra na consciência da liberdade, e na possibilidade de forjar nossa própria vida.

Uma vez não tendo essência, a liberdade deve-se fazer, se criar. A consciência se lança no futuro se distanciando do passado.

A necessidade de escolha deve sempre se impôr, ou seja, deve sempre estar dentro dos meus projetos.

O cumprimento, mas ao mesmo tempo o entrave à minha liberdade, é a existência do outro para quem me torno objeto. Sartre vê duas atitudes possíveis:

Fenômeno amor: reconhecendo e admitindo o amado como sujeito livre, porém o outro me olha como objeto. O esforço de todos os meios para conquistar o amado, mas se não há reciprocidade vem o fracasso e isso nunca se concretizará.
Desejo sexual: que é voltar-se para o outro usando-o como instrumento e ferindo sua liberdade, não é vontade de obter prazer, nem corpo e sim desejo de possuir a consciência, a liberdade do outro, que alimente o desejo sexual.
A qualquer momento pode haver a paralisação do objeto pelo outro, surgindo o ódio, o conflito e luta, não há a tolerância da liberdade do outro, o que acontece é aniquilação do outro, mas isso não muda o fato de que um dia ele existiu e fez de mim objeto de meu projeto.

Sartre considera que o materialismo aniquila o homem, o espírito se relaciona com a matéria, mas não o é. O trabalho dá sentido à matéria, a capacidade de imaginar que as coisas poderiam ser diferentes que torna o homem capaz de ir além da situação particular em que se encontra no momento. E aí que o indivíduo se torna objeto e contribui para a história.

O papel do existencialismo é insistir na especificidade de cada acontecimento.

Para Sartre o desespero significa que o homem se limita a contar com o que depende de sua vontade ou com o conjunto de probabilidades que tornam possível a ação. Agir sem esperança é agir sem contar com os outros homens, que além de desconhecidos, são livres, pois não há ‘natureza humana’ na qual seja possível agarrar-se.

O ponto de partida do existencialismo sartriano, como já havia sido dito, é a subjetividade, o cogito cartesiano, que apreende a verdade absoluta da consciência na intuição de si mesma. Na subjetividade existencial, porém, o homem não atinge apenas a si mesmo, mas também aos outros homens, como condição de sua existência. O que o cogito revela é a intersubjetividade, na qual o homem decide o que é e o que são os outros.

Não há natureza, mas condição humana. O homem é sempre "situado e datado", embora o conteúdo de sua situação varie no tempo e no espaço. A liberdade não se exerce no abstrato, mas na situação.

Sartre também discute a questão da morte, diferente de Heidegger, ele acha que a morte tira o sentido da vida, ou seja, ela é a "nadificação dos nossos projetos, é a certeza de que um "nada" total nos espera". Sartre conclui: "se nos temos de morrer, a nossa vida não tem sentido porque os seus problemas não recebem qualquer solução e porque até a significação dos problemas permanece indeterminada.

O conceito de "náusea", usado no romance de mesmo nome, difere-se a esse sentimento experimentado diante do real, quando se toma a consciência de que ele e desprovido de razão de ser, absurdo. Roquetim, a personagem principal do romance, numa celebre passagem, ao olhar as raízes de um castanheiro, tem a impressão de existir à maneira de uma coisa, de um objeto, de estar aí, como as coisas são. Tudo lhe surge como pura contingência, sem sentido.

O homem não é um "em si" ele é um "para si", que a rigor não é nada. A consciência não tem conteúdo e, portanto, não é coisa alguma. Esse vazio é a liberdade fundamental do " para si". É a liberdade, movendo-se, através das possibilidades, que poderá criar-lhe um conteúdo. Eis o que o homem, ao experimentar essa liberdade, ao sentir-se como um vazio, experimenta a angústia da escolha. Muitas pessoas não suportam essa angústia, fogem dela aninhando-se na má fé.

A má fé é a atitude característica do homem que finge escolher, sem na verdade escolher. Imagina que seu destino está traçado, que os valores são dados; aceitando as verdades exteriores, "mente para si mesmo", que é o autor dos seus próprios atos. Não se trata propriamente de uma mentira, pois esta supõem os outros, para quem mentimos. A má fé se caracteriza pelo fato de o indivíduo dissimular para si mesmo, a fim de evitar fazer uma escolha, da qual possa se responsabilizar. Torna-se salaud (‘safado’, ‘sujo’). O homem que recusa a si mesmo aquilo que fundamentalmente o caracteriza como homem, ou seja, a liberdade. Nesse processo recusa a dimensão do "para si", torna-se um "em si", semelhante as coisas. Perde a transcedência, reduz-se a facticidade.

Sartre chama esse comportamento de espírito de seriedade. O homem sério é aquele que recusa a sua liberdade para viver o conformismo e a "respeitabilidade" da ordem estabelecida e da tradição. Esse processo e exemplificado no conto "A infância de um chefe". Um tipo de má fé descrito por Sartre é do garçom que age não como um "para si", mas como um "ser para o outro", comporta-se como deve se comportar um garçom, desempenhando o papel de garçom, de tal forma que ele se vê com os olhos dos outros. É assim que Sartre descreve em "O ser e o Nada": " consideremos esse garçom de café. Tem um gesto vivo e apurado, preciso e rápido, dirige-se aos consumidores num passo demasiado vivo, inclina-se com demasiado zelo, sua voz e seus olhos experimentam um interesse demasiado cheio de solicitude para o pedido do freguês (...), ele representa, brinca. Mas representa o que? Não é preciso observa-lo muito tempo para perceber: ele representa ser garçom de café".

Outro tipo de má fé é o da mulher que, estando com um homem, dissimula para si mesma o caráter sexual do encontro, deixando-se "seduzir" por ele.

Em L’Être et le néant, essai d’ ontologie phénomenologique (1943; O ser e o Nada, ensaio de ontologia fenomenológica), propõe Sartre a sua filosofia, baseado na ontologia existencialista de Martin Heidegger. O ponto de partida é o "projeto" de vida do indivíduo, que se choca com os projetos dos outros. Como afirma o título de um escrito posterior, L’Existencialisme est um Humanisme (1946, O existencialismo é um humanismo) o existencialismo é humanista. Como humanismo, filosofia em cujo centro se encontra o homem, o existencialismo de Sartre tem o projeto de dominar o mundo. Mas esse mundo esta cheio de elementos maus; para domina-los, também é preciso arriscar o mal. A liberdade da decisão inclui a liberdade de fazer o mal. Só a decisão é humana e é livre.

Não existe a humanidade, a não ser como característica dos indivíduos humanos que embora diferentes todos uns dos outros, são humanos porque contém a humanidade ou dela participam. O indivíduo, enquanto tal, naquilo que apresenta de particular, é o objeto de percepção sensível e não de apreensão intelectual. Dizer-se de determinada flor que é uma rosa vermelha, é designar o particular por meio do universal, pois os termos rosa é vermelha não convém apenas à flor atualmente percebida, no entanto, é o fato de essa e nenhuma outra, de existir aqui e agora , como conteúdo ou objeto da percepção. A menos que dela se fizesse uma pintura, ou que se fotografasse, não há palavras para exprimir ou representar a sua particularidade. Essa razão pela qual, Aristóteles dizia que o indivíduo é "inefável" ( o que não pode ser dito), o que eqüivale a dizer que a realidade é irredutível ao conceito ou a existência irredutível à essência.

Conclui-se que o existencialismo é uma moral da ação, porque considera que a única coisa que define o homem é o seu ato. Ato livre por excelência, mesmo que o homem esteja sempre situado num determinado tempo e lugar. Não importa o que as circunstâncias fazem do homem, "mas o que ele faz do que fizeram dele".

Mas vários problemas surgem no pensamento sartriano, desencadeados pela consciência capaz de criar valores, ao mesmo tempo que deve se responsabilizar por toda a humanidade, o que parece gerar uma contradição indissolúvel.

Sartre se coloca nos limites da ambigüidade, pois se de um lado a moral é impossível porque o rigor de um princípio leva à sua destruição, por outro lado a realização do homem, da sua liberdade, implica um comportamento moral. Sempre prometeu fazer um livro sobre moral, mas não realizou seu projeto. Uma tentativa nesse sentido foi levada a efeito por Sime de Beauvoir no livro Moral da Ambigüidade.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

1001 Maneiras de Enriquecer


Joseph Murphy Ph.D.
Editora Nova Era, selo da editora Best Seller Ltda.
29ª edição
ISBN 85-7701-148-8

PRINCIPAIS TÓPICOS DESTE LIVRO:
- Como a renda anual de um vendedor passou de 5.000 para
50.000 dólares.
- Como numerosas pessoas usam uma fórmula mágica de pagar
contas com resultados maravilhosos.
- Como um homem de negócios em Los Angeles aplicou uma
fórmula de um milhão de dólares, saindo então do "buraco" para
controlar uma cadeia de lojas do valor de muitos milhões.
- Como um carpinteiro, que vivia de biscates, transformou-se em
um construtor de arranha-céus e acumulou uma grande fortuna.
- Como um homem que estava falido aplicou as três etapas
específicas para conquistar a riqueza, passando então a progredir
rapidamente em todos os setores.
- A história fascinante e sensacional de como um mineiro
paupérrimo transmitiu a idéia de riqueza a seu filho, que
atualmente é um famoso cirurgião, e como essa sua história
proporciona orientação para se obter a riqueza.
- Como o senhor Tyng aplicou os velhos ensinamentos da Verdade
e formou uma empresa de muitos milhões de dólares, tirando da
Bíblia a fórmula para ficar rico e demonstrando que ela funciona.
- Como poetas, escritores, artistas, cientistas e homens de negócio
obtiveram riqueza no tesouro infinito que existe no íntimo deles
próprios.
- Como um menino de dez anos constantemente recebe presentes
em dinheiro em todos os lugares que vai.
- Como ficar rico com o conhecimento das leis mentais e
espirituais, adquirindo consciência de que, a partir de então, todas
as boas coisas tangíveis da vida estarão à sua disposição.
Não é possível ter uma vida plena e feliz sem ser rico! Há
uma razão lógica e científica para ser rico; se você deseja colher os
frutos de uma vida de sucesso, felicidade e riqueza, deve estudar
este livro repetidamente. Proceda exatamente da forma nele
indicada para abrir seu próprio caminho para uma vida melhor,
mais feliz, mais digna, de grandeza e riqueza.
Daqui por diante, nos aventuraremos juntos em pró de uma
vida de riqueza.
ÍNDICE
1. A INFINITA RIQUEZA DIVINA
O direito de ser rico - A ciência de ficar rico - Você nasceu para ser
rico - Três etapas para a riqueza - Abundância de oportunidades -
A riqueza interior - A pobreza é uma doença - "Foi um milagre" -
Como obter capital - A grande lei da atração.
2. AS RIQUEZAS ENVOLVEM VOCÊ
Há bastante de tudo - A riqueza mental - Problemas financeiros e
recuperação - Mudança de atitude produz maravilhas - Fórmula
mágica de pagar contas - Trato de problemas financeiros - De
5.000 a 50.000 dólares anuais - Trabalho árduo sem sucesso -
Obtenção da estabilidade financeira.
3. CONHECIMENTO É RIQUEZA
Conhecimento e riqueza - Visão e riqueza - Conhecimento e
oportunidade - Nova concepção redunda em contrato - Atualmente
sou rico - Uma idéia bem recebida - A luz dissipa a escuridão.
4. ASSOCIE-SE A DEUS
Uma fortuna a compartilhar - Confiança é riqueza - O gênio interior
- Você pode triunfar - O princípio e o fim são idênticos.
5. ORAÇÃO E RIQUEZA
Uma fortuna do ouro espiritual - A mina de ouro interior - Seu
investimento multiplicou-se extraordinariamente - Você já é rico -
Idéias podem valer bilhões - Sua fortuna começa com você mesmo
- Como rezar e ficar rico.
6. A LEI MÁGICA DOS DÍZIMOS
O verdadeiro significado dos dízimos - Um advogado descobre a
mágica dos dízimos - A lei dos dízimos (oração) e os gerentes de
vendas - Um engenheiro reza e melhora de vida - Um artista reza
e obtém beleza - A oração deu-lhe amor - A lei de dar e receber -
Dê livre e jovialmente - A multiplicação dos dízimos - Aumente
rapidamente seus rendimentos - A oração deu-lhe recursos -
Doação e prosperidade - Doação reversa - A sabedoria em doar - A
doação permanente.
7. O RICO FICA MAIS RICO
Mudança de atitude produz rendimentos - A fórmula de muitos
milhões de dólares - Bloqueio à riqueza e cura - O fluxo da riqueza
- Bênção e riqueza - O banco universal - Oração contra a inveja e o
ressentimento.
8. A PRODUÇÃO DE RIQUEZAS TANGÍVEIS
A riqueza pode ser tangível - Um certo modo de pensar - O milagre
da imaginação - Porque ele não obtinha resultados tangíveis - Uma
refugiada de guerra obtém resultados maravilhosos - Três palavras
produzem riqueza - Deus deseja que você seja rico.
9. TODOS OS NEGÓCIOS SÃO DE DEUS
Oração de prosperidade nos negócios - Deus é o verdadeiro
empregador - Como encontrar o verdadeiro patrão - O segredo do
sucesso em vendas - Sua voz pode ser a voz de Deus - Modo
seguro de prosperar - Como vir a dirigir uma empresa de 200
milhões de dólares - O dia de hoje não está hipotecado - Três
etapas para o sucesso comercial - A verdade sobre compra e venda
- Orações diárias para sucesso financeiro.
10. A LEI DO CRESCIMENTO
Uma idéia milionária - A professora e os estudantes - Da cabana ao
arranha-céu - Um caminho até a porta - A atitude mental e o
padre - Oportunidade perpétua de progresso - A culpa do governo.
11. IMAGENS MENTAIS E RIQUEZAS
Um negócio milionário - Enriquecimento fraterno - A imaginação e
o sucesso financeiro - A imaginação produz riqueza - Uma fortuna
no deserto - Imaginação e desejo - A imaginação de riqueza para
outros - A ciência da riqueza.
12. OTIMISMO E RIQUEZA
Como elevar-se a grandes alturas - A alegria da superação - O
soerguimento de outros - Caráter e destino - O apoio interior -
Como atingir alturas fabulosas - As riquezas de Deus são suas - O
sentimento de superioridade - Seja bom consigo mesmo - Uma
nova auto-apreciação - A alegria de uma oração satisfeita.
13. GRATIDÃO E RIQUEZA
A lei da gratidão - Gratidão e riqueza - A técnica da gratidão - Por
que agradecer? - O milagre do agradecimento - O valor da gratidão
- Você aprecia o que tem de bom? - A riqueza do perdão - Gratidão
e dólares.
14. MILAGRES DE RIQUEZAS PELO PODER DAS PALAVRAS
Palavra e autoridade - Palavra e riqueza - A autoridade da palavra
- A palavra e a carne - A palavra produz maravilhas - Palavras
milagrosas - Palavras atraem clientes - Palavras solucionam
herança - Palavras que curam - Palavras determinam pagamento -
Palavras proporcionam emprego - Palavras solucionam problemas.
15. A RIQUEZA MARAVILHOSA DO SILÊNCIO
Um gênio em cada homem - O silêncio proporciona riqueza - O
silêncio o fez famoso - O silêncio e uma experiência emocionante -
O silêncio e as emoções maternas - O silêncio e o piloto - O
silêncio resolve problemas - O silêncio produz grandes resultados -
Como levar uma vida agradável - O silêncio e o cientista - Porque
nada acontecia - A sabedoria do silêncio de Emerson - A colheita
de dividendos - O silêncio interior.

domingo, 18 de janeiro de 2009

7 segredos para ter um 2009 feliz





Por Julio Cezar – em Busca da Felicidade, Consciência, O Segredo


1. Não se lamente, trabalhe: Não reclame sobre o que não tem, ou sobre o que gostaria de ter, ou sobre o que o seu vizinho tem e você ainda não conseguiu. Concentre-se naquilo que quer e trabalhe para ter ou conseguir o que deseja.

2. Esqueça a crise, vislumbre as oportunidades: Só se fala em crise, na TV, nos jornais, nas conversas entre amigos. Crises vêm e vão. A cada 10 anos uma crise financeira acontece em algum lugar, ou em todo o mundo. Com a crise, centenas de oportunidades aparecem para quem tem olhos para vê-las. Observe como algumas pessoas ou empresas saíram das crises ainda maiores do que eram antes delas. Isso significa que elas enxergaram no meio do turbilhão algo que o olho comum não conseguiu enxergar. Então, ao invés de temer a crise, treine seu olho para enxergar as oportunidades.

3. Não culpe os outros, assuma a responsabilidade: É comum vermos as pessoas procurando um bode expiatório para colocar a culpa dos seus defeitos e problemas. A empresa faliu por culpa do governo? Ora, se o governo é o culpado das falências, como explicar que algumas empresas conseguem crescer, mesmo em épocas de crise? Assuma a responsabilidade por todos os seus atos e pelas consequências deles. Tenha consciência de que tudo o que fizer hoje você receberá a recompensa amanhã. Isso serve para os maus administradores e para aqueles que administram sua vida com consciência.


4. Não está fazendo o que gosta? Mude!
Tenha coragem e saia da zona de conforto e procure um novo emprego, uma nova atividade que possa transformar seus dias enfadonhos em dias felizes. Se puder combinar a mudança de ares com um melhor rendimento, melhor. Mas se essa mudança implicar em alguma perda financeira, pense que, mesmo assim, essa perda financeira pode não significar nada diante de uma vida mais saudável e feliz.

5. Não se leve tão a sério: Dê boas gargalhadas ao lembrar de erros ou gafes que cometeu. Ninguém é perfeito ou tem a posse da sabedoria suprema. Portanto, todos podem errar ou se enganar algum dia. Então, não se leve tão a sério. Divirta-se com cada momento da sua vida. Não discuta com os outros para defender aquilo que pensa ou acredita. Todos temos aproximadamente 75 anos de expectativa de vida. Só depende de você transformar esse tempo mínimo em felicidade ou angústia. O que você quer que seus herdeiros digam no seu velório? "Bah! Esse velho chato durou muito! Bora dividir os bens."? Ou, "Que pena! Não importa o que tenha nos deixado, mas preferia ele vivo, pois era muito bom, feliz e divertido!"? Amigo, você pode ter muito dinheiro, ou nenhum, mas uma dessas frases será proferida no seu leito de morte.

6. Tenha uma saúde e um corpo perfeitos: O corpo humano é a máquina mais perfeita que existe. Células, nervos, ossos, músculos, órgãos, tudo milimetricamente ajustados para que você seja conduzido por um caminho de felicidade. Mas ela, como um carro, precisa de manutenção diária. Coma o suficiente para manter o combustível da máquina, exercite-se, não fume e não beba até cair. Você não chega num posto de combustível e pede para o frentista colocar 180 litros de gasolina no tanque (os modelos maiores têm capacidade para 70 litros) ou colocar 30 litros de óleo no cárter. O que lhe faz acreditar que o seu corpo, uma máquina mais delicada que um carro, vai absorver 3 quilos de alimentos e meia dúzia de cervejas numa única refeição? Você pode não sentir as consequências se fizer isso uma única vez, mas ao longo do tempo não só você, como seus pés, sistema circulatório, coração, músculos, nervos e órgãos internos se ressentirão destes excessos. Se você tem excesso de peso, emagreça, caminhe, pratique algum exercício. Não é só o seu corpo que agradecerá, mas sua mente também.

7. Cuide do seu cérebro, aprendendo: Por mais tempo que você viva, nunca conseguirá aprender tudo o que existe no universo, mas você pode divertir-se aprendendo sempre coisas novas e mantendo seu cérebro sempre ativo. Isso o ajudará a menter seus neurônios sempre conectados, favorecendo a memória e a destreza mental.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Explicação Animada do Chakras

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Quem gosta de meditação, esse video é legal e bem didatico.
Assistam fecham os olhos, e viagemna meditação.

Em busca da iluminação espiritual



"Muitas vezes, a busca espiritual é uma fuga ao horror do dia-a-dia. Eu próprio sonhei durante vinte anos com a iluminação. Havia alturas em que não pensava noutra coisa e tudo o que eu desejava era ficar iluminado. Uma vez, estive durante semanas em cima dum tractor enorme a cultivar um campo infindável. Não via nem o nascer nem o pôr-do-sol, mas o pensamento da iluminação cruzava constantemente o meu cérebro. Fervilhava no meu sangue e devorava todo o resto.

No espaço de alguns anos, este pensamento irrompia sempre com a mesma intensidade... e punha-me completamente maluco. Eu meditava diariamente, às vezes durante horas, até que um dia os olhos se me abriram durante uma meditação no memorial de Osho em Poona e não fui capaz de mais os fechar. Tive de rir de tal maneira, que quase me afastaram do local mais silencioso do mundo. O mais divertido nesta escapada, foi que de repente se tornou claro para mim como durante anos sempre quisera ser outra coisa do que era. Tinha cavalgado em direcção ao horizonte como um cavalo com a cenoura espiritual à frente do nariz e nunca a tinha atingido. Foram precisos dois anos para que conseguisse voltar a fechar os olhos numa meditação, sem desatar a rir.

Como tudo na vida, a sede de iluminação espiritual, tem dois lados, um escuro e um claro.

O aspecto escuro

Quando analisamos à lupa essa loucura da iluminação, temos de constatar que a busca espiritual pode ter razões secretas bem pouco espirituais. A necessidade de iluminação é o maior ataque egóico todos, porque agora é o ego que se quer exilar a si mesmo! Nada é suficientemente bom para ti! Nada é suficientemente bom para ti, és melhor do que Deus e o mundo, e anseias o divino. "Quero-o agora!"

O desejo de libertação também pode ter outras razões. Talvez não gostes de ti tal como és e queiras ser outra pessoa. Talvez queiras ser melhor que os outros, as pessoas "não espirituais". Talvez queiras finalmente ser amado pelos outros e penses não ser digno de ser amado, assim como és. Talvez também não tenhas vontade de trabalhar e de viver como uma pessoa "normal" num mundo normal. "Quando for iluminado, studo será diferente..."

Escrevem-me frequentemente pessoas que dizem "Quero ir até à luz", "Quero ir até Deus", "Quero ser iluminado". Primeiro, pergunto-lhes o que éassim tão escuro, tão pouco divino e tão pouco iluminado na vida delas, que queiram fugir disso ou apagá-lo. Já o referi há pouco. Olhando para o oposto do que desejas, chegas ao que realmente importa. Onde mais dói é onde há algo a ser trabalhado.

O aspecto claro

Mas também é verdsde que a sede de iluminação dá a quem busca uma força motora enorme, que o leva a caminhar com a chama da consciência por todos os recantos escuros do seu ser. O desejo ardente de finalmente seres tu mesmo pod envolver-te de tal maneira, que a tua energia concentrada se vira para ti próprio, pelo menos durante alguns anos. Esta intensidade permite-te largar essa parvoíce toda no seu auge de uma só vez. Portanto, a busca é importante, porque apenas alguém que procurou pode desistir da procura. A água do chá já está a ferver em casa."

Frank Arjava Petter in "Ser Feliz"

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Fonte: Oficina Natural

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

"A Gênese" – fonte: Fórum Espírita

Cap IV - O Papel da Ciência na Gênese

1. A história da origem de quase todos os povos antigos se confunde com a de sua religião _ é por isso que seus primeiros livros foram livros religiosos; e, como todas as religiões se ligam ao princípio das coisas, que é também o princípio da humanidade, ao tratar da formação e da disposição do universo, elas deram explicações que mantêm relação com o estado dos conhecimentos ao tempo em que seus fundadores registraram seus conceitos. Daí resultou que os primeiros livros sagrados foram ao mesmo tempo os primeiros livros de ciência, assim como durante muito tempo foram também o único código de leis civis.

2. Nos tempos primitivos, os meios de observação eram necessariamente muito imperfeitos, e as primeiras teorias acerca do sistema do mundo deviam ser eivadas de erros grosseiros; ocorre, porém, que se tais meios houvessem sido tão completos como o são hoje, os homens não teriam sabido usar deles; além disso, tais livros não poderiam ser senão o fruto do desenvolvimento da inteligência e do conhecimento sucessivo das leis da Natureza. À medida que o homem se adiantou no conhecimento de tais leis, penetrou nos mistérios da criação e retificou as idéias que havia formado sobre a origem das coisas.

3. O homem foi impotente para resolver o problema da criação, até que a ciência lhe deu a chave. Foi preciso que a Astrologia lhe abrisse as portas do espaço infinito e lhe permitisse que aí mergulhasse suas vistas, que, pelo poder de cálculo, determinasse com rigorosa exatidão o movimento, a posição, o volume, a natureza e o papel dos corpos celestes; que a Física lhe revelasse as leis da gravitação, do calor, da luz e da eletricidade; que a Química lhe ensinasse as transformações da matéria e a Mineralogia lhe revelasse os materiais de que se compõe a crosta terrestre; que a geologia lhe ensinasse a ler nas camadas terrestres, a formação gradual do próprio globo. A Botânica, a Zoologia, a Paleontologia, a Antropologia, deviam iniciá-lo na filiação e na sucessão dos seres organizados; com a Arqueologia, ele foi capaz de seguir os traços da humanidade através das idades; todas as ciências, numa palavra, se completam umas às outras, e assim lhe trazem seu contingente indispensável ao conhecimento da história do mundo; caso elas não existissem, o homem não teria por guia outra coisa senão suas primeiras hipóteses.

Igualmente, antes que o homem se apoderasse destes elementos de apreciação, todos os comentadores da Gênese, cuja razão se entrechocava com impossibilidades materiais, giravam num mesmo círculo do qual não poderiam sair; somente o conseguiram desde que a ciência abriu a rota, fazendo brechas no velho edifício das crenças, e então tudo mudou de aspecto; uma vez encontrado o fio condutor, as dificuldades foram prontamente aplainadas; em vez de uma Gênese imaginária, tivemos uma Gênese positiva, e de alguma forma, experimental; o campo do universo estendeu-se até o infinito; viu-se a terra e os astros se formarem gradualmente, segundo leis eternas e imutáveis, as quais testemunham a grandeza e a sabedoria de Deus melhor que uma criação miraculosa, saída de um golpe do nada, como uma modificação operada à vista, por uma idéia súbita da Divindade após uma eternidade de inação.

Desde que é impossível conceber a Gênese sem os dados fornecidos pela ciência, é lícito dizer-se, de modo totalmente verdadeiro, que a ciência é convocada para constituir a verdadeira Gênese, conforme as leis da Natureza.

4. No ponto que a ciência alcançou, no século XIX, terá ela resolvido todas as dificuldades do problema da Gênese?

Não, com certeza, porém é incontestável que destruiu, sem possibilidade de retorno, todos os erros capitais, e que ela assentou os alicerces essenciais, sobre dados irrecusáveis; os pontos ainda incertos não são, para falar corretamente, senão questões de pormenores, cuja solução, qualquer que seja no futuro não pode prejudicar o conjunto. Além disso, apesar de todos os recursos dos quais ela tem podido dispor, tem-lhe faltado até hoje um elemento importante, sem o qual a obra não teria jamais sido completa.

5. De todas as Gêneses antigas, aquela que mais se aproxima dos dados científicos modernos, apesar dos erros que encerra e que hoje são demonstrados até se tornarem evidentes, é incontestavelmente a de Moisés. Alguns de tais erros são mesmo mais aparentes do que reais, e provêm da falsa interpretação de certas palavras, cuja significação primitiva foi perdida ao passar de uma língua para outra pela tradução, ou cuja acepção mudou com os costumes dos povos, ou da forma alegórica característica do estilo oriental, e do qual se tomou o significado literal, em vez de procurar-se seu espírito.

6. A Bíblia contém evidentemente narrativas que a razão, desenvolvida pela ciência, não poderia aceitar hoje em dia; igualmente, contém fatos que parecem estranhos e repugnantes, porque se ligam a costumes que não são adotados. Porém, ao lado disso, haveria parcialidade se não reconhecêssemos que ela encerra grandes e belas coisas. A alegoria ali tem lugar considerável e sob tal véu ela esconde verdades sublimes que aparecerão, se a buscarmos no fundo do pensamento, pois, então, o absurdo desaparecerá.

Então, por que é que esse véu já não foi erguido mais cedo? Por um lado, é a falta de luzes que unicamente a ciência de uma sã filosofia poderia fornecer; por outro, o princípio da imutabilidade absoluta da fé, conseqüência de um respeito por demais cego pela letra, segundo o qual a razão deveria inclinar-se e por conseguinte, o medo de comprometer a estrutura de crenças edificadas sobre o significado literal. Desde que essas crenças partiram de um ponto primitivo, subsistia o receio de que, se o primeiro anel da corrente viesse a romper-se, todas as malhas do tecido terminariam por se separar; é por isso que se conservaram os olhos fechados, apesar de tudo; porém, fechar os olhos ao perigo não é o meio de evitá-lo. Quando um alicerce cede, não será mais prudente substituir imediatamente as pedras ruins por outras boas, em lugar de esperar, por respeito à velhice do edifício, que o mal se torne sem remédio, e que seja necessário reconstruir tudo, de baixo até em cima?

7. A ciência, levando suas investigações até as entranhas da terra, e à profundeza dos céus, tem pois demonstrado de modo irrecusável os erros da Gênese mosaica tomada à letra, e a impossibilidade material de que as coisas se hajam passado tal como estão relatadas textualmente; por isso mesmo, ela desferiu um golpe profundo nas crenças seculares. A fé ortodoxa comoveu-se, porque julgou que lhe haviam arrancado sua pedra fundamental; porém, quem é que devia ter razão: a ciência caminhando de modo prudente e progressivo sobre o terreno sólido das cifras e da observação, sem nada afirmar sem ter a prova à mão, ou um relato escrito numa época na qual faltavam os meios de observação, de modo absoluto? No fim de contas quem há de levar a melhor? Aquele que diz que dois mais dois são cinco e recusa conferir sua adição, ou aquele que diz que dois mais dois são quatro, e o comprova?

8. Objetareis, então: se a Bíblia é uma revelação divina, Deus estará então errado? Se não é uma revelação divina, não tem mais autoridade, e a religião se esboroa, por falta de base.

De duas coisas persistirá uma: ou a ciência tem errado, ou ela tem razão; se ela tem razão, não poderá tornar verdadeira uma opinião que lhe seja contrária; não há revelação que possa prevalecer sobre a autoridade dos fatos verificados.

Incontestavelmente, Deus, que é todo verdade, não pode induzir os homens ao erro, nem consciente, nem inconscientemente, pois então não seria Deus. E, pois, se os fatos contradizem as palavras que a ele são atribuídas, necessário se torna concluir, logicamente, que ele não as pronunciou ou que elas foram tomadas em sentido diverso.

Se a religião sofre de tais contradições em algumas partes, o erro não é da ciência, que não pode transformar em fato aquilo que não o é, mas dos homens por terem fundado prematuramente dogmas absolutos, dos quais fizeram uma questão de vida ou morte sobre hipóteses suscetíveis de serem desmentidas pela experiência.

Há coisas a cujo sacrifício é preciso que nos resignemos de boa ou de má vontade, quando não é possível proceder de outro modo. Quando o mundo marcha, a vontade de alguns se revela impotente para o deter; o mais sábio é segui-lo, conformando-se com o novo estado de coisas ao invés de se agarrar ao passado que se desintegra, com o risco de cair com ele.

O Papel da Ciência na Gênese

9. Por respeito a textos considerados como sagrados, seria necessário impor silêncio à ciência? Isto é uma atitude tão impossível quanto a de impedir a terra de girar. As religiões, quaisquer que tenham sido, jamais ganharam nada por sustentar erros manifestos. A missão da ciência é a de descobrir as leis da Natureza; ora, como essas leis são obras de Deus, não podem ser contrárias às religiões fundadas sobre a verdade. Lançar anátema ao progresso como inimigo da religião, é lançar anátema à própria obra de Deus; ademais, é isso completamente inútil, pois todos os anátemas do mundo não impedirão que a ciência caminhe, e que a verdade venha à luz do dia. Se a religião se recusar a caminhar com a ciência, a ciência prosseguirá sozinha.

10. Somente as religiões estacionárias podem temer as descobertas da ciência; essas descobertas não são funestas senão aos que se distanciam das idéias progressivas, imobilizando-se no absolutismo de suas crenças; eles fazem em geral uma idéia tão mesquinha da Divindade, que não compreendem que o fato de se assimilarem às leis da Natureza reveladas pela ciência, é glorificar Deus em suas obras; porém, em sua cegueira, preferem com isso prestar uma homenagem ao Espírito do mal. Uma religião que não estivesse em contradição com as leis da Natureza nada teria que temer do progresso, e seria invulnerável.

11. A Gênese compreende duas partes: a história da formação do mundo material, e a história da humanidade considerada em seu duplo princípio, corporal e espiritual. A ciência tem se limitado à pesquisa das leis que regem a matéria; no próprio homem, ela nada mais tem estudado senão o envoltório carnal. Sob esta relação, chegou a perceber, com incontestável precisão, as principais partes do mecanismo do Universo e do organismo humano. Acerca desse ponto capital, ela pode, pois, completar a Gênese de Moisés e retificar suas partes defeituosas.

Porém, a história do homem, considerado como ser espiritual, se prende a uma ordem especial de idéias, que não constitui o domínio da ciência propriamente dita e por este motivo ela não tem feito dele objeto de suas investigações.

A Filosofia, que inclui este gênero de estudos em suas atribuições não tem formulado, sobre este ponto, mais do que sistemas contraditórios, desde a espiritualidade pura até à negação do princípio espiritual e até mesmo a Deus, sem outras bases além das idéias pessoais de seus autores; e pois, ela tem deixado a questão indecisa, à falta de um controle adequado.

12. Entretanto, esta questão é a mais importante para o homem, pois constitui o problema de seu passado e de seu futuro; a do mundo material não o afeta senão indiretamente. O que lhe importa acima de tudo é saber de onde vem, para onde vai; se já viveu e se viverá outra vez, e qual a sorte que lhe é reservada.

Acerca de todas essas questões, a ciência é muda. A Filosofia nada faz senão emitir opiniões em sentidos diametralmente opostos; porém, pelo menos ela permite discutir o assunto, o que faz com que muitas pessoas se coloquem a seu lado, afastando-se assim da religião, que não discute absolutamente.

13. Todas as religiões estão de acordo sobre o princípio da existência da alma sem todavia o demonstrar; porém elas não concordam nem a respeito de sua origem, nem sobre seu passado, nem sobre seu futuro, nem sobretudo, _ o que é essencial _ sobre as condições das quais depende seu destino futuro. Em sua maior parte, elas fazem do futuro, um quadro imposto à crença de seus adeptos, o que só pode ser aceito pela fé cega, mas não pode suportar um exame sério. O destino que elas atribuem à alma está ligado, em seus dogmas, às idéias que eram formuladas a respeito do mundo material e do mecanismo do Universo, nos tempos primitivos, o que é inconciliável com o estado dos conhecimentos atuais. Uma vez que só podem perder com o exame e a discussão do assunto, acham mais simples proibir um e outro.

14. A dúvida e a incredulidade nasceram dessas divergências relativas ao porvir do homem. Todavia, a incredulidade resulta numa vida penosa; o homem considera com ansiedade o desconhecido, onde fatalmente, cedo ou tarde deverá penetrar; a idéia do nada o faz gelar; sua consciência lhe diz que além do presente há alguma coisa para ele; porém, o que é? Sua razão desenvolvida não lhe permite mais aceitar as histórias que acalentaram sua infância e assim tomar a alegoria pela realidade. Qual é o sentido dessa alegoria? A ciência dilacerou um canto do véu, porém não lhe revelou aquilo que mais lhe importa saber. Ele interroga em vão, e nada lhe responde de maneira peremptória, adequada a acalmar suas apreensões; por toda parte ele encontra a afirmação em choque com a negação, sem provas mais positivas de um lado ou de outro; daí a incerteza, e a incerteza relativa às coisas da vida futura faz com que o homem se atire com uma espécie de frenesi sobre as coisas da vida material.

Tal é o efeito inevitável das épocas de transição: o edifício do passado se esboroa e o do futuro ainda não está levantado. O homem é como o adolescente, que não tem mais a crença ingênua de seus primeiros anos e não tem ainda os conhecimentos da idade madura; nada tem além de vagas aspirações que não sabe definir.

15. Se a questão do homem espiritual permaneceu até nossos dias no estado de teoria, é porque tem havido a falta de meios de observação direta, por outro lado existentes para constatar o estado do mundo material; e o campo tem estado aberto às concepções do espírito humano. Enquanto o homem não conheceu as leis que regem a matéria e enquanto não pode aplicar o método experimental, andou a errar de sistema para sistema no que se refere ao mecanismo do Universo e à formação da Terra. Na ordem moral, tem-se dado o mesmo que na ordem física; a fim de fixar as idéias, tem faltado o elemento essencial: o conhecimento das leis do princípio espiritual. Este conhecimento estava reservado à nossa época, assim como o conhecimento das leis da matéria foi obra dos dois séculos anteriores.

16. Até o presente, o estudo do princípio espiritual, compreendido na Metafísica havia sido puramente especulativo e teórico; no Espiritimo, é todo experimental. Com a ajuda da faculdade mediúnica, mais desenvolvida em nossos dias, e sobretudo generalizada e melhor estudada, encontrou-se o homem de posse de um novo instrumento de observação. Para o mundo espiritual, a mediunidade tem sido aquilo que o telescópio foi para o mundo sideral, e o microscópio para o mundo do infinitamente pequeno; permitiu explorar, estudar, por assim dizer `de visu', suas relações com o mundo corporal; isolar, no homem vivente, o ser inteligente do ser material, e vê-los atuar separadamente. Uma vez estabelecida a relação com os habitantes de tal mundo, foi possível seguir sua alma em sua marcha ascen sional em suas migrações, em suas transformações; enfim, tornou-se possível estudar o elemento espiritual. Eis o que faltava aos anteriores comentadores da Gênese para compreendê-la e retificar seus erros.

17. Estando em contato incessante, o mundo espiritual e o mundo material são solidários um com o outro; todos os dois têm sua parte de ação na Gênese. Sem o conhecimento das leis que regem o primeiro seria também impossível constituir uma Gênese completa, tanto quanto a um escultor é impossível dar vida a uma estátua. Unicamente hoje em dia, e apesar de que nem a ciência material nem a ciência espiritual hajam proferido suas derradeiras palavras, o homem possui os dois elementos adequados a lançar luz sobre este imenso problema. Eram de todo indispensáveis estas duas chaves, para se chegar a uma conclusão, mesmo aproximativa.(*)

(*) A posição criteriosa de Kardec fica bem clara neste capítulo. Ele apresenta as razões históricas da concepção ingênua da Gênese bíblica e sustenta a importância da concepção científica da gênese planetária no século passado, lembrando que, entretanto, as Ciências ainda não haviam chegado a conclusões definitivas. Há quem critique essa posição, achando que Kardec devia ir além das Ciências do seu tempo, apoiando-se em dados de comunicações mediúnicas. Kardec obedeceu ao princípio espírita de que só devemos aceitar o que estiver provado cientificamente. No século atual o avanço científico foi espantoso e assim mesmo não ofereceu os dados necessários a uma formulação definitiva de uma concepção científica da gênese. O critério rigoroso de Kardec o livrou de aceitar revelações mediúnicas que invalidariam a sua obra. Espíritas eminentes ainda não compreenderam que o Espiritismo não se apóia em revelações mediúnicas, mas no estudo das condições dos espíritos e na comprovação pela pesquisa da validade ou não das informações que nos dão (J. Herculano Pires).

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